A arte-educação como intervenção psicológica 

Lúcia de Lourdes Rutkowski Bernardes

Ilma Borges

Ursula Blattmann

Resumo:
Trata da realização de um projeto fundamentado na teoria de Vygotsky denominada Psicologia Histórico-Cultural. Utilizou como aparato metodológico a arte-educação, aplicado no contexto escolar, com sujeitos educandos de 1ª à 4ª séries do ensino fundamental de Florianópolis. O uso da hora do conto como instrumento mediador possibilitou às crianças vivenciarem temáticas como respeito, afetividade, cidadania, família e vida escolar através da interpretação dos contos em que eram convidadas a participarem ativamente a partir de suas próprias percepções. Como resultado o projeto dinamizou pela integração da hora do conto no contexto escolar.
Palavras-chave:
Arte;  Educação;  Psicologia - técnica;  Hora do conto

1 INTRODUÇÃO

Como proposta de estágio curricular em Psicologia Educacional para a obtenção do título de Psicólogo, o projeto A Arte-Educação como Intervenção Psicológica realizado no período de 25 de fevereiro de 2003 a 05 de dezembro de 2003 em uma escola do ensino fundamental da rede estadual de educação em Florianópolis, constituiu-se num modo de abordar e investigar a realidade de um contexto educativo, enfocando as percepções de educadores, educandos e funcionários. A finalidade do projeto foi articular conhecimentos da Psicologia Histórico-Cultural e técnicas da arte-educação para uma intervenção psicológica num contexto escolar em que se pretendeu oportunizar as crianças participantes, reflexões sobre si mesmas enquanto sujeitos criativos com capacidade de aprender usando a imaginação como um elemento facilitador. Pela arte-educação foi possível o desenvolvimento de um diagnóstico institucional - esta atividade revelou a necessidade de se trabalhar temáticas que eram motivos de preocupação da comunidade escolar - e a realização de encontros semanais com turmas de crianças cursando o ensino fundamental (1ª a 4ª série), em que se promoveu a hora do conto. Na hora do conto, temáticas como família, escola, cidadania, afetividade foram discutidas e representadas pelas crianças em desenhos, pinturas, esculturas, dramatizações. A partir de uma seleção criteriosa de contos, as temáticas foram tratadas de forma que as crianças foram incentivadas a refletir sobre as mesmas e a darem suas opiniões. Nas opiniões, as próprias histórias de vidas das crianças entraram em cena para também serem discutidas. 

O relato a seguir trata especificamente das considerações a respeito do trabalho realizado com as crianças, não sendo possível no artigo discutir a visão do educador. Esta será apresentada futuramente em um novo artigo.
 

2 O DIAGNÓSTICO INSTITUCIONAL

Com a finalidade de identificar a necessidade do trabalho psicológico optou-se por uma compreensão da realidade do contexto escolar a partir da fala dos educadores, educandos e funcionários. Para esta etapa de trabalho denominada de diagnóstico institucional, desenvolveu-se um roteiro de entrevista em que se tinha como alvo de discussão aquilo que a comunidade escolar considerava como aspectos positivos do trabalho educativo ali realizado, bem como uma análise daquilo que poderia ser identificado pelos mesmos como aspectos negativos, ou seja, situações que estavam prejudicando o desenvolvimento do processo educativo.

A discussão do resultado do diagnóstico por intermédio das entrevistas revelou como temáticas significativas para uma intervenção psicológica questões pertinentes a relação entre o educando, a família e a escola como principal foco de intervenção. A queixa predominante foi a falta de diálogo entre a escola e a família. A conscientização da relação entre ética e cidadania (aspecto ressaltado em função do alto índice de roubos ocorridos nas dependências da escola e do tráfico de drogas) foi também apontada pelos entrevistados como uma situação delicada e de difícil abordagem. Outro elemento destacado foram as relações interpessoais. Neste aspecto, enfatizou-se a necessidade da sensibilização para o respeito mútuo entre os diversos atores presentes no espaço escolar. Por fim, os entrevistados localizaram a necessidade da livre expressão da criatividade como forma de se trabalhar aspectos da subjetividade das crianças.

Após discutir-se os resultados com a comunidade escolar, a proposta seguiu-se com a definição de uma intervenção psicológica que num primeiro momento possibilitasse a discussão das temáticas apontadas pelo diagnóstico e enfocando as crianças. A arte-educação foi escolhida como instrumento de mediação por se entender que esta favorece a expressão concreta e particular de algo que se vive tanto no plano psíquico como no plano social.

2.1 Enfoque da arte na constituição do sujeito


Vygotsky (1998) compreende a arte como um elemento significativo na constituição do sujeito, no momento em que ela atua sobre o plano emocional. Para Vygotski (1998), a arte vive da interação, agregando os princípios da percepção sensorial, sentimento e imaginação

todas as nossas vivencias fantásticas e irreais transcorrem, no fundo, numa base emocional absolutamente real. Deste modo vemos que o sentimento e a fantasia não são dois processos separadas em si mas, essencialmente o mesmo processo, e estamos autorizados a considerar a fantasia como expressão central da reação emocional (VYGOTSKI, 1998, p. 246).

 
A arte nesta compreensão pode ser uma mediadora qualificada para se atingir num sujeito a sua vivência subjetiva. A arte possibilita, na compreensão de Vygotsky, (1998), a abertura para a expressão de sentimentos e compreensões do mundo que revelam aspectos da produção de sentidos de um sujeito que estão entrelaçados com sua objetividade. Aquilo que o sujeito produz como expressão artística estará de certo modo resgatando a compreensão que o mesmo tem de sua existência no plano da materialidade. A arte retrata a relação entre subjetividade e objetividade, uma vez que cria um campo de possibilidades em que a realidade pode ser transformada pela percepção singular revelando conseqüentemente o impacto daquela sobre a formação da consciência de si e do outro.

Em contextos educativos infantis, a arte pode contribuir para o desenvolvimento afetivo-emocional, para mediar a compreensão da criança de seu contexto, para favorecer o seu trânsito entre a realidade e a fantasia.

2.2 A arte–educação

A arte-educação no âmbito da educação formal configura-se como um instrumento que oportuniza à criança o desenvolvimento de seu potencial criador e reflete sua convivência cultural, à medida que ao se relacionar com a arte, a criança internaliza e externaliza conhecimentos sobre o seu mundo. Na arte, a criança representa o seu mundo. Pela arte, a criança pode elaborar conceitos e expressar sua compreensão dos papéis sociais. Com a arte-educação se pode instrumentalizar o processo de aprendizagem para que este esteja condizente com a capacidade cognitiva da criança. Capacidade cognitiva para elaborar conceitos, compreender sua posição no mundo, e se identificar com papéis sociais que desempenhará ao longo de sua vida.

Para o professor Ferraz,

Arte-Educação é a idéia de relacionar, dentro da sala de aula, expressão com cultura, ou seja, levar o aluno a construir a sua linguagem pessoal e, ao mesmo tempo, mostrar-lhe que arte é cultura e que é importante conhecê-la, pois faz parte de nossa existência. A leitura do discurso visual não se resume apenas na forma, cor, volume, ou movimento, mas é centrada na significação que esses atributos, em contextos diversos, conferem à imagem, e isso é uma imposição da época em que vivemos. A importância da Arte-educação é por ela não propor modelos de certo ou errado, levando o aluno a trabalhar a construção de hipóteses, partindo da interação dos saberes e por isso, tal processo se dá no coletivo e inclui a voz, o olhar, o tocar, o pensar e o sentir de "Todos".


A Arte-Educação é então um recurso pedagógico, que no âmbito da psicologia passa a ser um dispositivo que pode fortalecer a relação entre a apropriação do conhecimento, o desenvolvimento das funções psicológicas superiores (percepção, atenção, linguagem e pensamento, por exemplo) e o processo de socialização infantil.

2.3 O contador de contos

A premissa básica do contador de contos na visão de Busatto (2003, p.47), é que “ao contar doamos o nosso afeto, a nossa experiência de vida, abrimos o peito e compactuamos com o que o conto quer dizer. Por isso torna-se fundamental que haja uma identificação entre o narrador e o conto narrado”.

O contador de contos, ou narrador de contos, converte-se em um mediador privilegiado dentro do contexto da arte-educação quando leva o ouvinte a indagar-se sobre os personagens, sobre o significado da estória, incitando a pesquisa e a objetivação das mensagens do conto, por exemplo, incentivando novas produções. O conto passa a ser reinventado pela criança num desenho, numa dramatização, numa pintura, numa fala.

No campo psicológico, o conto age nos contextos afetivos e imaginativos da criança, pois provoca possíveis identificações com os personagens ou distanciamentos destes considerando os aspectos que formam as características dos personagens no desenrolar da estória. A criança é levada a refletir sobre atos éticos e morais que pela mediação do contador lhe possibilita discenir aspectos da realidade e da fantasia convertendo a experiência em ações tanto em nível cognitivo como existencial.

Na eleição dos contos para o desenvolvimento do projeto teve-se o cuidado de analisar as estórias, para que correspondessem as temáticas anunciadas no diagnóstico institucional e fossem pautados numa orientação teórica que no plano da intervenção psicológica refletisse o que Vygotsky (2003) enfatiza quando diz que:

Uma obra de arte vivenciada realmente pode ampliar nossa opinião sobre certo campo de fenômenos, obrigar-nos a observá-lo com novos olhos, generalizar e reunir fatos por vezes totalmente dispersos. Como toda vivência intensa, a vivência estética cria um estado muito sensível para as ações posteriores e, naturalmente, nunca passa sem deixar marcas em nosso comportamento posterior. (2003, p.234)


Buscou-se na literatura específica sobre conto, indicadores que possibilitassem uma escolha correta para a adequação do conto ao projeto. “A história é um alimento da imaginação da criança e precisa ser dosada conforme a estrutura cerebral” (COELHO, 1994, p.14).

O contar ou narrar não deixa de ser uma arte teatral conjuntamente com a afetividade, a sensibilidade, a emoção e o carisma, que devem estar integrados nesse processo.
Na menção de Jean Marie Giling,

... os contos são verdadeiras obras de arte. São uma grande arte que pertence ao patrimônio cultural de toda a humanidade e representam a visão do mundo, as relações entre o homem e a natureza sob as formas estéticas mais acabadas; aquelas que provocam precisamente o maravilhoso.

O contador e os contos formam uma unidade que vão além do ato educativo. Contador e contos possuem uma ação terapêutica que precisa ser bem dimensionada para que os efeitos sejam sempre favoráveis ao crescimento daquele que ouve, seja criança ou adulto. O contador de contos precisa ser capacitado para tal atividade. No projeto, tal dimensão terapêutica foi devidamente monitorada e avaliada constantemente por intermédio de orientações profissionais específicas da psicologia. Este acompanhamento, além de ser uma responsabilidade ética, é também, uma exigência para a realização de um estágio de conclusão de curso. A integração de todos os fatores descritos (diagnóstico institucional, planejamento do projeto e execução e avaliação permanente do mesmo) garantiu o desenvolvimento dos encontros com as crianças de forma segura e estruturada tanto no plano técnico como teórico.

3 RESULTADOS OBTIDOS

Acreditou-se no projeto, mas o resultado foi bastante além dos seus objetivos inicias. Viu-se na prática a atenção dada pelas crianças e educadores ao singelo momento da narração de contos.

A hora do conto passou a ser caracterizada no contexto escolar em que se realizou o projeto como uma atividade regular dentro das práticas curriculares. Foi reconhecida e respeitada pela articulação com o pedagógico. Isto pode ser observado na reserva de uma sala somente para esta atividade, pelo agendamento rigoroso dos educadores semanalmente para que sua turma fosse contemplada, pelo acompanhamento dos educadores dos encontros e transferência para suas aulas das discussões sobre os contos. Assim, os contos foram motivos para se discutir português, história, matemática, entre outras atividades.

A arte-educação como instrumental para uma intervenção psicológica demonstrou no transcurso do projeto ser um poderoso agente de investigação no sentido de proporcionar ao psicólogo particularmente, uma compreensão dos aspectos subjetivos de cada participante integrando-os numa dinâmica social que tem em si, valores históricos e culturais. Valores históricos e sociais que revelam a formação social da consciência de si e do outro. Cada criança ao re-interpretar o conto, o fez tendo como perspectiva sua forma de ser e de querer ser em relação a aquilo que o outro lhe apresenta como proposta de ser (neste âmbito estão a família e a escola). Nesta relação, é possível reorganizar subjetividade (indivíduo) e objetividade (mundo) a partir de uma dialética de conflitos que precisa ser constantemente recriada para ser igualmente superada.

A arte na prática psicológica é, portanto, forma e conteúdo para se fazer revelar, manifestar conflitos que a criança precisa interpretar, assim como, a cada conto, precisou recontá-los a partir de sua capacidade de entendimento sobre sua realidade.

Ao final do projeto um questionário avaliando a hora do conto foi aplicado para se verificar a opinião das crianças. As opiniões refletiram a experiência das crianças e enfocaram a associação entre aprendizagem e lazer.

Alguns exemplos:

 Eu gosto desse momento, pois eu aprendo, sempre ali, ligado em você.
 (referindo-se a contadora de contos/estagiária de psicologia)

 A gente aprende muito ouvindo estórias.

 Eu gosto de ouvir estória porque é diferente e fico curioso no que vai acontecer.
 As estórias agradam muito porque faz nós se sentirmos nas nuvens.

 Me agrada as estórias vou pra casa tranqüilo.
O projeto é legal transmite alegria e bom humor.


Pôde-se inferir, da experiência relatada, que trabalhar aspectos psicológicos usando a arte-educação implica em se ter consciência do efeito da arte sobre o desenvolvimento da estrutura cognitiva de um indivíduo. A arte é na vivência do ser humano, segundo Vygotsky (2003), uma aproximação com a história da humanidade. Situação fundamental para a criança que explora o mundo na tentativa de apropriar-se dele. 

Para Vygotsky (2003, p.238):

A estrutura comum da educação social está orientada para ampliar ao máximo os limites da experiência pessoal restrita, para organizar o contato da psique da criança com as esferas mais amplas possíveis da experiência social já acumulada, para inserir a criança na rede da vida com a maior amplitude possível. Esses objetivos gerais também determinam os caminhos da educação estética. A humanidade mantém, através da arte, uma experiência tão enorme e excepcional que, comparada com ela, toda experiência de criação doméstica e conquistas pessoais parece pobre e miserável. Por isso, quando se fala de educação estética dentro do sistema de formação geral, sempre se deve levar em conta, sobretudo, essa incorporação da criança à experiência estética da humanidade. A tarefa e o objetivo fundamentais são aproximar a criança da arte e, através dela, incorporar a psique da criança ao trabalho mundial que a humanidade realizou no decorrer de milênios, sublimando seu psiquismo na arte.


Buscando integrar arte e contexto escolar por intermédio da apresentação de contos, o projeto de estágio denominado A Arte-Educação como Intervenção Psicológica r contribuiu para concretizar a idéia de Vygotsky (2003) quando fala que pela arte a criança pode apropriar-se psicologicamente da trajetória humana e seu legado. Na arte e pela arte cada criança participante do projeto pôde em suas produções discutir aspectos de sua família, de sua escola, de sua comunidade, enfim, de sua realidade como ser humano que é parte de um tempo e de um espaço, que é parte de uma história e que produz a sua história na relação com a história de muitos. 

4 CONSIDERAÇÕES

A necessidade de problematizar com as crianças temáticas como família, escola, afetividade e cidadania, foi, durante os encontros, apresentada e mediada pelos contos. Para cada temática, um conto. Em cada conto, uma questão. Assim, a importância da família para as pessoas, a escola e como ela participa da vida das pessoas e a importância do respeito e do afeto entre as pessoas, a honestidade e a solidariedade como um aspecto a ser cultivado, foram ludicamente trabalhos, sem que se deixasse de explicitar o ato psicopedagógico presente em cada leitura, em cada desenho, em cada dramatização, a cada encontro.

Integrando os encontros a sala de aula o projeto A Arte-Educação como Intervenção Psicológica, resultou numa abertura para novos olhares sobre o delicado fio que liga o pedagógico ao psicológico. Um olhar que se traduz por uma re-significação do contexto escolar não somente como espaço para o ensino enquanto transmissão de conhecimentos, mas como construção ativa e interativa com espaço para a criatividade e a imaginação.

Também se observou um interesse das crianças em utilizarem os livros da biblioteca, freqüentarem mais e a consultarem o acervo. Desencadearam o processo multiplicador de leituras, por exemplo lendo e contando estórias aos irmãos menores, aos amigos e entre si próprios principalmente na sala de aula.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BUSATTO, Cléo. Contar & encantar: pequenos segredos da narrativa. Petrópolis : Vozes, 2003.

COELHO, Betty. Contar histórias uma arte sem idade. São Paulo : Ática,1994.

FERRAZ, Hernani. Educação, tecnologia e arte. Disponível em: http://www.canaleducacional.com.br/artigo_hernani.asp

GILING, Jean Marie. Uma arte dos dias de ontem para revitalizar os recursos humanos de hoje. Disponível em:  http://www.emerson.org.uk/

LOWENFELD, Viktor. Desenvolvimento da capacidade criadora. São Paulo : Mestre Jou, 1970.

VIGOTSKI, Liev Semianovich. Psicologia da arte. Porto Alegre: Artmed, 1998.

VIGOTSKI, Liev Semianovich. Psicologia pedagogia. Porto Alegre : Artmed, 2003.

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THE ART EDUCATION AS PSYCHOLOGICAL INTERVENTION


Abstract: Report a project based on the cultural-history psychology Vygotsky’s theory. The art-education was used as method and applied to individuals from de first to the fourth grade in a public school at Florianópolis. The “Tell story hour” was used as a mediating instrument and help children to live intensive thematic as: respect, affectivity, citizenship, family and school life through the stories interpretation of stories where they invited to participate and to discover they own perceptions. Results give a dynamic touch to integrated the “Tell story hour” in the school context.
Keywords: Art; Education; Psychology; Tell story - hour.

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Lúcia de Lourdes Rutkowski Bernardes

Graduada pelo curso de Psicologia da Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL
E-mail: lucia_bernardes_psi@yahoo.com.br

Ilma Borges

Professora do curso de Psicologia da Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL
E-mail: ilmab@matrix.com.br

Ursula Blattmann

Professora do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Santa Catarina
E-mail: ursula@ced.ufsc.br 

Rev. ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v. 8, p. 18-25, 2003.